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Trabalho Científico - Tantra / Saude da Mulher

O ORGASMO FEMININO E SEUS BENEFÍCIOS À SAÚDE DA MULHER
Autora: Josefa D. de Freitas Haisch / Suryachandva – Terapeuta Sexual – Espaço Anahata São Paulo / SP

CONCEITO DE ORGASMO:

A Enciclopédia Britânica, conceitua o orgasmo como sendo: “O grau máximo de excitação e culminação do prazer sexual e subsequente relaxamento das tensões sexuais”. Em 1966 Masters e Johnson conceituaram orgasmo, como:

Um breve período de liberação física do aumento prévio da tensão muscular, da concentração do fluxo de sangue na pelve e da sensação corporal de excitação, somado à percepção subjetiva que o indivíduo tem deste estado. Esta liberação energética ocorre por contrações musculares ritmadas na região genital que se refletem em outras partes do corpo. As contrações resultam ser bastante prazerosas e produzem uma sensação de alívio e relaxamento.

Artigo publicado na revista científica JEZ Molecular and Developmental Evolution, o orgasmo feminino teria surgido a mais de 150 milhões de anos nos mamíferos, como uma forma de liberação do óvulo para ser fertilizado durante o sexo e estava totalmente vinculado ao processo de reprodução humana, o óvulo só era liberado quando a fêmea entrava em processo de orgasmo. Estudo realizado na Universidade de Yale, sugeriu que o orgasmo feminino atual é um vestígio do nosso passado evolutivo, as fortes descargas de hormônios que acompanhavam o clímax eram necessárias para a mulher ovular. E o orgasmo feminino hoje, seria um resquício evolutivo dos tempos em que a descarga hormonal, estava diretamente ligada à ovulação da fêmea de um ancestral comum de todos os mamíferos que teria vivido a mais de 150 milhões de anos. Os biólogos Mihaela Pavlicev e Gunter Wagner (2016), afirmam que após milhões de anos, os mamíferos fêmeas passaram a ter ovulação espontânea, o orgasmo feminino se desvinculou totalmente do processo reprodutivo humano, deixando de ser necessário para a concepção.

O interesse pela função da sexualidade feminina teve início com Hipócrates (400.a.c), porém, sobre seu prazer o interesse surgiu apenas no Século XVI com os pesquisadores anatomistas Realdo Colombo e Gabriel Falloppio.

Em 1952, os sintomas de uma sexualidade ativa nas mulheres, passava a ser considerada doença pela já criada Associação Americana de Psiquiatria (maior instituição de referência para diagnosticar os transtornos mentais até hoje).

A antropóloga Margaret Mead, entende que a capacidade para o orgasmo é uma “resposta aprendida”, sendo certo que o ambiente onde está inserida a mulher tem a capacidade de influenciar positivamente ou negativamente o aprendizado quanto a sua sexualidade e principalmente o seu prazer.

No Brasil, no ano 2000, foi realizada pesquisa sobre a sexualidade brasileira, sendo constatado que a 18 anos atrás 92,1% das mulheres brasileiras não se masturbavam frequentemente. 14 anos depois, uma outra pesquisa revelou que apenas 22% das mulheres brasileiras sentem o orgasmo em suas relações sexuais. (Pesquisa ECOS, Estudo do Comportamento Sexual do Brasileiro, 2000) e ano de 2004, outra pesquisa realizada por Abdo, revelou que no país a dificuldade em sentir orgasmo é um problema especificamente do feminino, este atinge 5 vezes mais mulheres do que homens, 26,2% de mulheres para 4,9% homens.

Existem estruturas físicas e anatómicas necessárias para se desencadear o orgasmo feminino e estas devem permanecerem intactas, a saber:

Conexão corticomedular, fibras S2, S3, S4 e nervos pudendos; estrutura cavernosa com nervos intactos; adequada força muscular pélvica; adequada excitação e congestão genital.

O orgasmo é a penúltima fase da resposta sexual feminina, inicia-se com contrações ritmadas, intervalos de 0,8 segundos, em números de três a quinze; cada contração é relatada como um momento de intenso prazer que vai diminuindo na medida em que as contrações desaceleram. O intervalo e a intensidade das contrações são diferentes para cada mulher, e de um orgasmo para o outro. O tempo que o corpo leva para entrar em processo de orgasmo, dependerá do grau de estimulação feita, acredita-se que a mulher consiga (se bem estimulada) sentir orgasmos sucessivos (múltiplos), antes do período de resolução. Pesquisas recentes, revelam que não existem tipos de orgasmos, mas sim apenas orgasmos desencadeados pela estimulação do clitóris, da vagina, ou pelos dois estímulos simultaneamente.

Os benefícios do orgasmo feminino, foram vistos pela primeira vez pelo médico holandês Pieter Van Forrest em 1653, que desenvolveu a massagem no genital como tratamento terapêutico, e os estudos avançam ao longo da história com pesquisas e descobertas sobre os benefícios terapêuticos do orgasmo. Em 1880, a massagem pélvica já era utilizada com intuito de provocar o orgasmo terapêutico, retratado no filme Histeria, lançado em 9 de novembro de 2012 na direção de Tanya Wexler. Nesta mesma época foi inventado o vibrador.

Em 1927, o médico Wilhelm Reich publicou o seu livro A função do orgasmo, onde aponta o orgasmo como forma de tratamento para as psiconeuroses. Ele entendia ser o orgasmo um evento de maior importância para a saúde sexual da pessoa e que exerce influência na forma da pessoa relacionar-se.

Quando a mulher sente orgasmo, seu corpo produz substância, ocitocina, liberada pelo corpo através da hipófise, induzindo as contrações do músculo uterino, o qual ajuda durante o parto e após dele para a mãe se apaixonar pelo bebê, estimulando assim a secreção de leite materno. A ocitocina é conhecida também por criar sentimentos como conexão e intimidade entre o casal, o que pode encorajar uma maior ligação afetiva.

O psicólogo e professor americano, Barry Komisaruk da Universidade Rutgers nos Estados Unidos, afirma que o ato da mulher estimular a sua vulva, estimula todas as áreas do cérebro, sensorial e coordenação motora, especialmente o núcleo accumbens, provocando um imediato bloqueio da dor. Isso apenas em manipular o genital, não precisa sequer sentir orgasmo, mas quando além de se tocar ela sentir orgasmo, o efeito analgésico e calmante é sem dúvida potencializado.

A psicóloga clínica Eliane Marçal, afirma a mulher que apresenta dificuldades em sentir orgasmos, geralmente revela características marcantes: é desconfiada, controladora, dominadora, tem medo de ser abandonada, de afirmar a independência, sente culpa frente à sexualidade, hostil em relação ao parceiro, medo de perder o controle sobre sensações e comportamentos, e em alguns casos apresenta como mecanismo de defesa o supercontrole. Segundo Cordioli (2005), 60% das mulheres diagnosticadas como portadoras de esquizofrenia, nunca na sua vida sentiram um orgasmo, “tal situação é compreensível” declara a psicanalista especializada em sexo, Dra. Magdalena Salamanca, quem afirma que o orgasmo representa a satisfação de um dos instintos mais importantes para a espécie humana, o instinto sexual e a sua não satisfação plena pode provocar o desencadeamento de várias doenças de transtornos mentais.

A Dra. Magdalena Salamanca, em declaração feita à BBC, afirmou que a saúde física e psíquica estão intimamente associadas à satisfação sexual que ocorre através do sentir orgasmo, sendo certo que a afirmação da Dra. foi feita amparada pelo estudo da Universidade Rutgers que demonstrou em laboratório que, a atividade cerebral (quando iniciada pelo orgasmo), se propaga por todo o sistema límbico responsável pelas emoções; porém quando a pessoa não sente um orgasmo pleno, toda a energia (tensões represadas no corpo), provocam a manifestação dos sintomas de irritação, tristeza, desânimo.

De acordo com os sexólogos Francisca Molero e Manuel Lucas, Presidente da Sociedade Espanhola de Intervenção em Sexologia, a falta de orgasmo pode trazer grandes consequências negativas para a mulher, como: declínio da autoestima,

São inúmeros, os benefícios do orgasmo feminino para a saúde da mulher:

Promove a longevidade: Um dos primeiros estudos comprovando o benefício do orgasmo para uma vida longeva, teve início em 1921 no chamado “The Longevity Project”, iniciado pelo Dr. Terman da Universidade de Stanford.

Alivia a tensão: Artigo publicado no The Journal of Sexual Medicine afirma que a principal característica do orgasmo é uma contração seguida de um intenso relaxamento, capaz de aliviar as tensões musculares, relaxando o corpo inteiro.

Alivia dores: Estudos publicados no The Journal of Sex Research afirmam que durante o orgasmo, o cérebro libera endorfinas e ocitocinas em quantidades até cinco vezes maiores do que em situações normais. São hormônios responsáveis pelo controle da dor, muito similares à morfina. Um outro estudo publicado no Bulletin of Experimental Biology and Medicine, descobriu que o orgasmo pode aumentar os níveis de resistência a dor.

Melhora qualidade do sono: Pesquisadores da UNICAMP descobriram que as mulheres com maior prazer sexual também apresentam menores índices de insônia. Estudos feitos pela Universidade do Estado de Nova Iorque em Albany sobre o orgasmo feminino, chegaram à conclusão que o sono que aparece logo depois do sexo ser importante para o corpo da mulher.

Deixa pele e cabelos mais bonitos: Estudo realizado na Universidade Queens do Reino Unido, afirma que sentir orgasmo aumenta os níveis de dehidroepiandrosterona e estradiol, responsáveis por consertar tecidos e manter a pele saudável. Além disso, quando há o orgasmo, ocorre uma vasodilatação superficial dos vasos sanguíneos, proporcionando à pele e aos cabelos uma aparência viçosa e exaltando o brilho natural.

Diminui o estresse: Um estudo publicado na revista Biological Psychology relevou que o orgasmo diminui a produção de cortisol, responsável pelo estresse.

Protege o coração: Um estudo publicado no The American Journal of Cardiology, demonstrou que pessoas que mantinham relações sexuais entre 2 a 3 vezes por semana, tinham até 50% menos probabilidade de sofrer de um ataque cardíaco, isto porque durante o orgasmo os níveis de hemoglobina aumentam protegendo o corpo de infecções, favorecendo um maior resistência do corpo ao ataque de doenças, bem como protegendo o coração das doenças cardiovasculares.

Fortalece a imunidade: Diversos estudos têm comprovado que, uma vida sexualmente ativa faz com que o corpo libere a dopamina, o hormônio que está associado à energia e a motivação, aumentando consequentemente os níveis de um anticorpo conhecido como Imunoglobulina A, responsável pela proteção do organismo a infecções, gripe e resfriados.

Ao final, forçoso concluir a grande importância do orgasmo feminino, para que a mulher possa desfrutar de uma boa saúde física e mental, o que por si já justifica seja o orgasmo indicado pelas profissionais da saúde como terapia e até mesmo como uma ferramenta de cura.